Na obra-prima da literatura de Victor Hugo – transposta para a tela, em diversas versões, da qual destaco aquela em que John Malkovich e Gerard Depardieu interpretam os personagens principais – a figura que mais me impressionou foi Javert, o cruel inspector policial que fez da implacável perseguição a Jean Valjean a sua doentia obsessão. Nessa obra, cujo título é “Os Miseráveis”, o desgraçado Jean Valjean personifica o eterno fugitivo, condenado por roubar um naco de pão.
Ontem, Cláudio Pereira fez-me lembrar o inspector Javert, tal o instinto persecutório demonstrado aos jogadores do Glorioso em todo o desafio entre o Sta. Clara e o SL Benfica que descambou num final surreal - o destrambelho de um desvairado de cabeça perdida pela vitória do impensável levou este miserável do apito a distribuir cartões vermelhos como quem distribuiu “fruta para dormir”…
Quando esta fotografia mostra este pardalão - reprovado recentemente nas provas físicas que regularmente são exigidas aos apitadeiros do burgo e com um currículo arbitral medíocre - com as insígnias da FIFA ao peito, apetece-me perguntar:
- Cláudio, Cláudio, porque me persegues? Porque foste nomeado para este jogo?
Ah, Luciano! Oh c’um catano!
Então envias esta peça arbitral mais dois zelosos comparsas auxiliares e VAR?!? a Ponta Delgada, nos Açores, para quê?
Para fazer aquela peça teatral, arbitral, que por ironia do destino transformou o seu instinto persecutório ao Glorioso numa cena final ininteligível?
Não, Luciano. Tudo isto que tem vindo a acontecer com os medíocres do apito, e são quase todos, não pode voltar a acontecer. Mas tu, Luciano, és o mais medíocre dentre eles! Ou melhor, és mais que medíocre, és mau, muito mau! Muito mau e manhoso!
Ontem, Araújo não rasteirou nenhum jogador santaclarista com a cabeça, nem Jhon Durán foi pisoteado por qualquer cornúpeto desembestado, mas que as malas estavam lá, não há dúvidas. Cláudio, para além do vento forte desfavorável à equipa Benfiquista no 1º tempo, foi empurrando sistematicamente os jogadores Benfiquistas para o seu meio-campo, punindo-os com faltas imaginárias e fazendo vista grossa ao jogo rasteiro e desvairado da equipa açoriana composta maioritariamente de brasileiros liderados por um petit trauliteiro com memória selectiva. Ao marcar célere, o penalty que deu vantagem ao Sta. Clara num lance em que a bola bateu ao de leve no braço de Samuel Dahl sem que este sequer a visse nesse momento e ao no passa nada ao descarado empurrão a Bah por um defesa santaclarista na grande área açoriana, demonstrou à saciedade ao que vinha.
Cláudio, armado em justiceiro de pacotilha ferrou logo de entrada com um amarelo em Marco Silva. Uma pintelhice autoritária que começou a definir a sua parcialidade arbitral demonstrada ao longo de todo o jogo. Mal ele imaginaria que num espaço curto de seis minutos, Prestianni e Pavlidis mudariam o rumo dos acontecimentos. Com vaselina purificada de grande qualidade, encavaram de tal forma Cláudio, que este acabou por atingir o zénite da sua frustração com aquela vingançazinha final em Jhon Durán & Cia, no pós-jogo.
O jogo foi um triste espectáculo. De início, o que parecia uma disputa leal, intensa e meramente futebolística, transformou-se rapidamente numa contenda obsessiva muito dura, extremada por um colaboracionista que disse muito cedo ao que vinha. Os jogadores do Sta. Clara pareciam possuídos pelo demónio tal o ímpeto rasteiro que colocavam em cada lance – agarrões, rasteiras, empurrões provocadores. A equipa do SL Benfica mostrou estar à altura das responsabilidades, muito embora na primeira metade do desafio tivesse passado por um mar de tormentas muito difícil de travar – relvado, vento, equipa arbitral e adversário a funcionar com combustível de muitas octanas. Tudo isto mudou no período complementar. Com vento favorável, substitutos expeditos e estratégia redefinida, mesmo com um apitadeiro miserável a fazer contra-vapor, o SL Benfica acabou imparável com um triunfo categórico, apesar de todas as contrariedades. É assim que se constrói um campeão e como os Benfiquistas dos Açores ficaram tão felizes com tão saborosa vitória! Um Efe-Erre-Á para todos eles!
MAXIMUS VERMILLUS



