
“COMO
FUGIR COM O RABO À SERINGA OU A SAGA DE JÚLIO MAGALHÃES”
Tratado
de Suinicultura, case study 2, pág. 6
Todo o conteúdo seguinte é a transcrição
textual de uma notícia de um jornal desportivo sobre as declarações “surreais”
de Júlio Magalhães, ex-director do Porto Canal, no julgamento do “Caso dos E-mails”
no dia 21 de Dezembro de 2022.
E não foi só com estupefacção
que li todo esse conteúdo. Fiquei completamente estarrecido como é que um
director de um canal televisivo revelou desconhecimento, amnésia, ingenuidade e
mêdo, ao apresentar uma argumentação pífia, alijando responsabilidades de toda
a ordem quando confrontado sobre a contínua divulgação dos e-mails do Sport Lisboa e Benfica na estação de TV que ao tempo
dirigia.
As declarações de Júlio
Magalhães revelam sérios receios do próprio de que venha a ser fortemente
penalizado pela Justiça.
Assim espero que a Justiça,
conforme é hoje representada simbolicamente, SEJA CEGA!
Segue o conteúdo mencionado.
[Júlio
Magalhães apresentou-se esta quarta-feira em Tribunal para prestar declarações
no âmbito do caso dos emails, no qual é arguido por ser diretor do Porto Canal,
na altura em que a correspondência electrónica de várias figuras ligadas ao
Benfica era divulgada semanalmente no programa 'Universo Porto - Da Bancada'.
Num depoimento que durou quase duas horas, o jornalista, mais habituado à arte
de fazer perguntas, teve de vestir a pele de entrevistado. Algo a que não está
acostumado e que, possivelmente, terá levado o advogado André Domingues,
minutos antes de Júlio Magalhães se apresentar frente ao juiz, trocar as
últimas impressões com o seu constituinte. Mas a tranquilidade reinou, pois,
como o próprio assinalou no meio das respostas: "Já passei por momentos
mais difíceis. Houve processos muito mais duros e violentos que este".
E,
mesmo que tenha pedido para retirar a gravata a meio do depoimento, a matéria
parecia vir bem estudada. Raramente Júlio Magalhães ficou sem resposta ou
apresentou problemas de memória, mesmo quando foi confrontado sobre as questões
éticas de manter no ar um programa no qual se apresentavam e-mails de outras
pessoas. O agora jornalista da TVI defendeu-se com dois motivos: por considerar
que a divulgação dos emails servia para expor "práticas menos éticas"
que poderiam colocar em causa "a verdade desportiva" e também por que
aquele espaço era da inteira responsabilidade do FC Porto.
"Quando
fui convidado, afirmei logo que não iria liderar um canal de clubes, que não
tinha esse perfil. Disseram-me que seria um canal generalista, onde o FC Porto
teria conteúdos de projeção de marca. Depois de desenvolvermos o canal, 90 por
cento da grelha era de canal generalista e 5 ou 10 por cento é que eram do FC
Porto, de projeção de marca. Desenvolvemos o canal nessa perspetiva. Era um
canal diferenciado. Tínhamos programas de história, música clássica.... Só o
que diz respeito ao FC Porto estava balizado em antena e não tinha qualquer
interferência nisso. A produção dos conteúdos FC Porto foram sediados no
Estádio do Dragão. Havia uma diferenciação clara entre os conteúdos do FC Porto
e os do Porto canal. Todos os dias tínhamos de fazer grelhas para entregar na ERC.
E incluíamos conteúdos do FC Porto. Mas fazíamos reportagens de outros clubes,
estivemos em galas do V. Guimarães e do Sp. Braga em direto, por exemplo",
começou por explicar esta diferença, algo que fez questão de reforçar por
várias vezes: "Os conteúdos do FC Porto eram feitos por uma estrutura
própria. Eram jornalistas que só trabalhavam conteúdos FC Porto, trabalhavam
diretamente com o FC Porto. Não havia submissão a mim, tinham vida própria. Era
como um clube ter espaço de uma hora no canal e pronto. A responsabilidade era
totalmente deles. Nunca tinha conhecimento do que iam falar".
Relativamente
ao programa Universo Porto - da Bancada, onde começaram a ser divulgados os
e-mais de figuras afetas ao Benfica, Júlio Magalhães confessa que não viu todos,
pois não é um estilo que aprecie, mas acabou por ser questionado pelo juiz se
não lhe passou pela cabeça que o que se estava ali a passar pudesse ser
problemático. O jornalista revelou a sua inocência e admite que nunca pensou
nisso.
"Nunca
pensei nisso. Aquilo era da responsabilidade do FC Porto, julguei que estivesse
devidamente caucionado juridicamente. Além disso, estavam envolvidos
jornalistas experientes. Sabia que era matéria sensível. Mas só fiz questão de
garantir junto do Francisco J. Marques que nunca seriam divulgada matéria de
foro pessoal. Isso sim, preocupava-me. A restante, não. Estava a ter impacto
grande. Era o programa de maior
audiências do Porto Canal, com impacto nacional. E era reproduzido por todos os
órgãos de comunicação social. Era algo de interesse público. Nunca me quis
meter nessa matéria, é a única responsabildiade que tenho. Também não queria
que se metessem no meu trabalho", respondeu, tendo depois recorrido ao seu
típico interlocutor de domingos à noite, para defender que existia interesse
público naquela divulgação de e-mails:
"Vi
importância pública no que era divulgado. Os conteúdos tinham interesse
público. Se há outras questões, se truncaram e-mails, não sabia. Não tinha
acesso a eles para perceberem se isso aconteceu ou não. Não tinha palavra sobre
o conteúdo do programa, nem o que era divulgado. Só sabia posteriormente. Nunca
interferi nos conteúdos do FC Porto. Era algo com dimensão nacional. Não achava
que fosse penalizante para o Benfica, mas para as pessoas que cometiam os
crimes. O clube era uma instituição. Tinha a ver com alegadas práticas que não
era éticas. Toda a gente estava a divulgar aquilo, o diretor não vai parar uma
coisa dessas. Não me competia parar o programa, não o queria e não podia, pois
não me queria intrometer".
Júlio
Magalhães fez questão de reforçar a ideia que nunca olhou para a divulgação dos
emails como um ataque ao Benfica, mas sim a quem cometia práticas duvidosas:
"Tinha interesse público, claro. Visava alegadas más práticas, práticas
que não eram éticas, de pessoas ligadas ao fenómeno desportivo e que poderiam
alterar a verdade desportiva. Não visava o Benfica, mas algumas pessoas",
reforçou.
No
meio da sessão, foi o jornalista foi ainda confrontado com o facto do programa
ter audiências muito boas e como isso o pode ter levado a fechar os olhos à
divulgação dos emails do Benfica. Mas Júlio Magalhães reforçou que o facto de
ser muito visto, é um sinal que havia interesse público e do público. E até
recordou o passado de comentador do atual Presidente da República: "As
pessoas esperavam pelas terças-feiras [dia em que o programa era transmitido]
como estavam à espera do comentário do Marcelo Rebelo de Sousa ao
domingo", atirou, entre sorrisos vindos das bancadas.
O
jornalista foi ainda confrontado com um cenário hipotético: Se decidisse
interferir na divulgação dos e-mails, o que lhe poderia acontecer? A resposta
foi simples: "Ou demitia-me, ou possivelmente diriam que eu não estava ali
a fazer nada", atirou, ainda que tenha reforçado que nunca lhe
"passou pela cabeça" acabar com o programa.”]